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Nascimento
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Nascida em Veneza, em 1364 (1), é levada por seus pai, em 1368, para França onde vive o resto da sua vida.
Tommaso di Benvenuto da Pizzanno, médico e astrólogo da Universidade de Bolonha, aceita o convite da corte
francesa, em Paris, e passa a exercer as funções de médico e astrólogo de Carlos V. É nesta corte que Christine
será educada.
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(1) Todas as datas inseridas neste documento têm de ser compreendidas como aproximadas, dado que as
fontes por nós consultadas indicam datas diferentes para os mesmos acontecimentos. Optámos pelas que nos
pareceram mais lógicas e aceites por um maior número de fontes.
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Educação
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O facto de (cerca dos anos 80) se terem identificado, como fazendo parte do inventário real, a existência de
um certo número de manuscritos provavelmente originários de Bolonha, parece poder dar crédito à especulação de
que o pai de Christine possa ter estado envolvido na sua selecção e aquisição para a Biblioteca Real.
Esta tarefa como conselheiro científico poderia esclarecer alguns aspectos menos claros da educação de Christine,
o seu acesso à biblioteca real e até a sua carreira como escritora. Explicaria, ainda, as suas ligações com o
mercado livreiro de Paris e, por exemplo, com Boccaccio, de cujas obras parece ter sido a primeira tradutora,
tendo, ele próprio ilustrado, segundo se crê, uma das primeiras obras de Christine.
Dada a prevalência da opinião de sua mãe, mulher conservadora e defensora dos costumes da época, que confinava a
sua educação a fiar, tecer e bordar, Christine refere ter sido obrigada a mendigar as migalhas do saber paternal.
De ideias muito mais abertas sobre a educação das mulheres, seu pai reconheceu, acarinhou e encorajou o interesse
e a capacidade intelectual que Christine manifesta desde tenra idade.
O contacto com a corte francesa e com as grandes bibliotecas de Paris proporciona-lhe uma riqueza de educação
invulgar e a sua erudição distinguia-a da maioria dos outros escritores (masculinos).
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Casamento
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Em 1380, com catorze anos de idade, Christine casa com Étienne de Castel, que se julga ter sido filho de um
membro da corte e que, aos trinta e quatro anos, foi nomeado secretário real, título que usa até à sua morte.
Os secretários reais constituíam o escol intelectual de Paris e muitas vezes acediam a uma carreira política de
sucesso, pois beneficiavam dos favores reais, sendo responsáveis pela representação diplomática do rei, cujas
cartas e actos públicos se encarregavam de preparar. Havia, pois, neste casamento, a perspectiva de um futuro
risonho.
Mais uma vez, Christine teve o privilégio de ter ao seu lado um homem de cultura, que a encorajou a continuar
os seus estudos.
Sabe-se que este foi um casamento muito feliz, pois Christine refere-se sempre ao marido com ternura e afecto
(por exemplo, em La Mutation de Fortune fala do seu casamento e dos seus três filhos).
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A escrita como forma de vida
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Com a morte de Carlos V , em 1380, e porque o seu sucessor, Carlos VI era ainda muito jovem (12 anos), a
França foi governada por uma regência. Os irmãos de Carlos V, apesar de terem mantido alguns dos seus
servidores, não souberam honrar os compromissos estabelecidos e o pai de Christine conheceu sérias dificuldades,
até à sua morte, em 1385.
Cinco anos após a morte do pai, Christine perde o marido, que morreu de doença, em 1390, quando se encontrava
com o rei em Beauvois.
Para além do desgosto da perda, Christine, viuva aos vinte e cinco anos, teve enormes problemas financeiros.
Dificuldades no recebimento da renda que lhe era devida pelo seu estado (percalço vulgar para as viuvas da
época, que ela aponta na sua obra) e outros problemas com os seus bens levam-na a envolver-se em disputas nos
tribunais durante catorze anos, chegando, como ela própria se lamenta, a ter processos simultaneamente em quatro
tribunais parisienses.
Mas é o enfrentar deste infortúnio, que mais uma vez indicia a sua inteligência e o seu carácter forte e corajoso,
que faz de Christine uma escritora profissional.
Ela escreve para ganhar a vida e a de sua família. À sua responsabilidade ficaram seus três filhos menores, sua
mãe viuva e uma sobrinha.
Procurando uma solução para o futuro dos seus filhos, aceita a oferta do Conde de Salisbury (Inglaterra), que toma
conta do seu filho Jean como companhia do próprio filho, ligeiramente mais novo. Este senhor detinha uma posição
de relevo na corte, pois usufruía dos favores do rei Richard II, o que assegurava o futuro de Jean.
Incapacitada de oferecer um dote que possibilitasse um bom casamento a sua filha, Christine consegue, com a
intervenção de amigos influentes, que aquela entre para o convento das Dominicanas , em Poissy, em 1397, onde
Christine acabará por passar os seus últimos tempos de vida.
O seu outro filho morreu nos primeiros anos de idade.
Christine recorreu à sua erudição, a todos os conhecimentos que tinha adquirido ao longo da sua educação
excepcional. Conhecia inúmeros escritores que vieram a influenciar os seus escritos. Dominava as línguas
clássicas, a literatura, a mitologia, os estudos bíblicos.
Morre em França, em 1431, com a idade de 67 anos.
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