A obra de Christine de Pizan, em verso e prosa, é bastante variada nos géneros e nos temas, nela cabendo para além de uma vasta produção lírica, biografia, autobiografia, novelas e pequenas histórias, comentário literário e textos de opinião (polémicas em que se envolveu), conselhos e moralidades, técnicas militares, história, religião e política.

Escritora dotada, utilizou estruturas poéticas complexas como "ballades", "rondeaux" e "virelais". Obras como a de Eustache Deschamps, que publicara "L'Art de Dicitier", quando Christine começa a escrever, encorajou-a ao uso destas formas fixas, em que virá a ser mestra.

Por outro lado, as suas obras didácticas, o tratamento de temas políticos e sociais mostram como as suas ideias são originais e avançadas para a época.


Depois da morte do marido, Christine de Pizan começa por escrever poesia, considerando ela própria o ano de 1399 como a data do início da sua carreira de escritora.

Escrita a partir de 1394, alguma da sua poesia é de inspiração cortesã (em Cent Ballades d'Amant et de Dame , onde as falas dos dois protagonistas se alternam), outra muito mais pessoal (p.e. a célebre balada escrita pela morte de seu marido, Seulette suy et seulette vueil estre ) e até biográfica, de uma forma simbólica (em Mutation de Fortune, 1400-1403, e no Livre du chemin de longue étude, 1402-1403), ou de maneira explícita (em L'Avision Christine, 1405).

Em 1402, compila a sua primeira recolha de baladas (Cent ballades), mas escreverá muitas mais (300) cujas recolhas se farão segundo uma trama narrativa.

Dado que muitos dos seus poemas falam do sofrimento de amor, Christine de Pizan será chamada " le poète de fin amour".

Faz a biografia do rei Carlos V (Le Livre des Fais et Bonne Meurs de Sage Roy Charles V).

Escreve, também, sobre problemas sociais, políticos e religiosos, exprimindo corajosamente as suas opiniões e recusando à mulher o papel de incompetente ou de objecto sexual e encorajando as outras mulheres a uma atitude semelhante.

Assim, Christine de Pizan compromete-se politicamente, em Épître à la reine Isabeau (1405), Lamentation sur les maux de la France (1401) ou Livre du corps de Policie (1404-1407), livro em que, p.e., exorta os senhores do poder a terem em conta a situação em que ficam viuvas e orfãos, aliás tendo por base a sua dolorosa experiência.

Ficou célebre a forma como defendeu as mulheres primeiro nas Lettres du Débat sur le Roman de la Rose (1401-1402), mas sobretudo no Livre de La Cité des Dames (1404-1405) e no Livre des Trois Vertus ou Trésor de la Cité des Dames (1405), que são as suas obras em prosa mais importantes e conhecidas.

A obra de Christine de Pizan é considerada por algumas escolas feministas contemporâneas como o início do movimento feminista. Os seus escritos L'Epistres au Dieu d'amours (1399), Le Dit de la Rose (1402), L' Epistres du Débat sur le Roman de la Rose (1401-1403) ou Le Livre de la Cité des Dames e Le Livre de Trois Virtues (1405) despoletaram a discussão sobre temas específicos da condição feminina (castidade, casamento, educação dos filhos, viuvez?).

A sua obra influenciou mulheres importantes da sua geração e seguintes como por exemplo Margarida de Austria e Maria da Hungria futuras rainhas dos Países Baixos e do Sagrado Império do Imperador Carlos V, Luísa de Sabóia, regente de França durante a menoridade de Francisco I, Ana de Inglaterra e rainha de França e da Rainha D. Isabel, mulher de Afonso V, de Portugal e de D. Leonor, mulher de D. Manuel I.

No reinado de D. Afonso V , a rainha D. Isabel, chegou mesmo a encomendar uma tradução portuguesa da obra Le Livre des Trois Virtues - O Livro das tres virtudes a insinaça das damas, cujo manuscrito se encontra na Biblioteca de Madrid e de que, mais tarde, será mandada fazer uma nova versão impressa, pela rainha D. Leonor, em 1518, a que foi dado o título de O espelho de Cristina.



As Obras:
- Début des Cent Balades d'Amant et Dame (1394/1402)
- Début des Rondeaux (1396/1402)
- La querrelle du Roman de la Rose: Épistre au Dieu d'Amour (1399)
- Dit de la Rose (1402)
- Épistres du Débat sur le Roman de la Rose (1401-1403)
- Le Débat Deux Amants (1400)
- Le Livre des Trois Jugemens (vers 1400)
- Le Livre du Dit de Poissy (1400)
- Enseignemens Moraux (1400)
- Proverbes Moraux (1400)
- Épistre d'Othea (vers 1400)
- Cent Ballades d'Amant et de Dame, Virelyas, Rondeaux (1402)
- Le Livre de la Mutacion de Fortune (1403)
- Livre du Chemin de Long Estude (1403)
- Livre des Fais et Bonnes Meurs du Sage Roy Charles V (1404)
- Le Livre du Duc des Vrais Amants (1405)
- Lettre à Isabeau de Bavière (1405)
- Avision Christine (1405)
- Épistre à Eustache Deschamps (1405)
- Livre de la Cité des Dames (1405)
- Livre de Trois Vertus ou Le Tresor de la Cité des Dames (1405)
- Livre de Prudence (vers 1406)
- Livre de la Prodhommie de l'Homme (vers 1406)
- Le Livre du Corps de Policie (1407)
- Les Sept Psaumes allégorisés (vers 1409)
- Livre des Fais d'Armes et de Chevalerie (1410)
- Lamentacion sur les Maux de la Guerre Civile (1410)
- Livre de la Paix (1413)
- Épistre de la Prison de Vie Humanie (1416/18)
- Heures de Contemplation sur la Passion de N.S. (vers 1420)
- Le Ditié de Jehanne d'Arc (1429)